terça-feira, 8 de maio de 2007


O fenômeno do Comércio Religioso Crise, palavra desconhecida quando o assunto é comercio religioso. Segundo pesquisas publicadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a maior procura dos devotos continua sendo pelas imagens sacras, os crucifixos e quadros religiosos. As pesquisas, realizadas em 2003, apontaram em 30% em relação à década de 90. Esses números mostram que o Comércio religioso não pára de crescer e gerar empregos, faturando anualmente mais de 3 bilhões de reais no país. Na cidade de São Paulo, esses lucros se intensificam em pontos como 2 de março, no Centro, e as imediações da Igreja São Judas Tadeu, no Jabaquara, zona sul O ambulante Rogério Lemos, 38, fala sobre o seu trabalho e o cotidiano envolvendo o comércio. “Antes de trabalhar com o mercado religioso, vendia relógios e óculos e não saia metade do que vendo hoje”,Conta. “Deus é misericordioso e não deixa ninguém desamparado. É só crer na palavra dele que tudo dá certo, “afirma Rogério, ao ser perguntado sobre a sua Fé em Deus. Já o comerciante Antônio Carlos Silva, 39, que possui uma loja em frente à Igreja de Santo Antonio, em Osasco revela que muita gente oportuna se aproveita da boa fé dos devotos para explorá-los, pois algumas peças são vendidas por preços exorbitantes. Segundo ele, os ambulantes triplicam os preços das mercadorias nas datas religiosas, como no dia de nossa Senhora da Aparecida e no Natal. Depois das comemorações, voltam ao preço anterior. “Venho de uma família cristã na qual Deus é alicerce de tudo, além disso, Deus me ajuda a ganhar o pão de cada dia e se não acreditasse em sua existência, era melhor fechar as portas,” diz Antonio, questionado sobre sua crença em Deus. Ele revelou também que, todos os anos, novos produtos e imagens religiosas são fabricados e comercializados e que, acredita, o mercado religiosos será a nova potencia na economia do pais daqui há 5 anos. Antonio explica que os fieis adoram a imagem da “Santa Ceia”,com Jesus ao lado de seus apóstolos. Outros materiais que não param de vender são Pulseiras, camisetas, cds, bíblias e os famosos adesivos, com inscrições como “100% Jesus” e “Deus é fiel” Dirce Paiva, 60, conhecida como “Santinha” pelos ambulantes e comerciantes, em alusão a sua fidelidade ao mercado religioso, enfatiza a importância do comércio no seu dia-a-dia. “Não posso ver um santinho que logo compro. A prova disso é a parede da minha casa, que parece um verdadeiro altar,” Revela a fiel.
Jornalista José Luiz Ribeiro Júnior 30/05/1978

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