São Paulo - São 6 horas da manhã em São Paulo, e já começa mais um dia de labuta na vida de meninos que sonham com um futuro melhor. Nas costas, carregam a caixa de engraxar, e, na mente, planos de um amanhã repleto de oportunidades. O rádio, amigo inseparável, alegra as manhãs e tardes de trabalho. A graxa, o pano e a escova, completam as ferramentas que trarão o pão de cada dia e o sustento de algumas famílias que residem na periferia paulistana e contam com o sofrido dinheiro dos engraxates para se sustentar.Alguns desses garotos vivem na rua. Optaram por engraxar a viver sob os olhos do governo, da Febem ou de orfanatos. Muitos fugiram de casa por serem agredidos pelos seus pais ou padrastos. Todos adotaram a praça da Sé e da Republica como o seu habitat. Lá, se encontram centenas de engraxates, na faixa de 14 a 18 anos, garotos surrados pelo tempo e cheios de histórias tristes e curiosas. Muitos são confundidos com assaltantes e trombadinhas, misturando-se com todos os grupos urbanos, outros vendem bala, entregam folhetos, fazem malabarismos nos semáforos, entre outros bicos.Pedro Luiz, de 14 anos, reside no bairro de Itaquera, em São Paulo. Ele fala de sua infância e de seus sonhos: “Queria ser bombeiro, vivia colocando fogo nos papelões”, conta. “Depois quis ser jogador de futebol. Me inspirava no Romario.”O mundo dos engraxates também convive com o uso de drogas. As drogas estão presentes desde cedo na formação e vivência dessas crianças, que não têm muita informação ou discernimento. A maioria dos garotos não concluíu sequer o ensino fundamental. Mas, segundo Mathias Silva, de 15 anos, a maior indignação dos meninos é com o preconceito: ”A polícia nos intimida e nos classifica como malandros, aproveitando-se da pouca leitura e conhecimento que possuímos.”A "tribo" urbana dos engraxates é chamada de “família” por muitos que estão nesse meio. Eles se comunicam freqüentemente por meio de gírias, aliás. Uma das mais usadas é "laricar", que significa matar a fome ou lanchar. O dinheiro ganho no fim do mês é conhecido como "pagodinho", numa menção ao gênero musical. De fato, muitos dos meninos gostam de samba e o seu grande ídolo é sambista Zeca Pagodinho. Por isso, também, eles freqüentam barzinhos, nos quais a mesa de pagode acompanha o chopp e a cerveja, bebida degustada desde cedo.Outo ídolo dos engraxates é Vinícius de Oliveira, o Josué do filme Central do Brasil. Eles confessam que sonham com um país com mais oportunidades e menos violência, que não os faça depender da mesma sorte que teve o ator-mirim descoberto por Walter Salles. Em suas referências, também se encontra a velha frase do Rei Pelé: "Vamos olhar para as nossas crianças, vamos formar o futuro da nação". No entanto, a lembrança mais presente é a de tragédias, como a chacina ocorrida na igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, em que morreram oito meninos, entre eles, alguns engraxates.
Jornalista: José Luiz Ribeiro
terça-feira, 24 de junho de 2008
Cinemática da vida
De repente, nos põem no mundo com um personagem a interpretar. Não houve a chance de ensaios, não nos foi dado nem roteiro nem falas. Temos que viver, improvisar. Cada um protagoniza a própria vida, enquanto "assiste a" e "assiste à" gravação da vida de muitos outros.
O filme é uma mistura de romance, ação, comédia, suspense, terror e ficção científica. O dia-a-dia torna-se uma reprise que passa cada vez de maneira diferente.
Choramos, rimos, passamos por perigos, brigamos, apanhamos...erramos, e muito. E não tem um diretor para dizer: "Cortaa!!!".
Às vezes, a vida cansa. Tanto que tem gente que desiste e se retira de cena antes da hora. É um filme difícil de entender e nem adianta perguntar a pessoa da cadeira ao lado, que ela não vai saber explicar. Ninguém sabe.
O curta-metragem da vida continua e, entre uma cena e outra, iremos cantarolar, assoviar e murmurar nossa própria trilha sonora, amarrando um cadarço, esperando o ônibus, no meio de um trânsito ou passando manteiga no pão. E haverá cenas e cenários inesquecíveis...a vista do alto daquele morro...a favela...uma praia...um assalto...o movimento no centro da cidade...a cena do beijo...a morte de um personagem querido.
Até que um dia o rolo de vida se acaba.
O que acontece depois ninguém sabe ao certo. Dizem que esta vida é um ensaio para uma outra vida e que, depois dela, nos encontraremos com o Grande Autor que julgará nossa atuação e nos dará ou não um Oscar. Há quem diga que, dependendo do caso, teremos de voltar aqui e gravar tudo de novo. Há, também, quem diga que isso tudo e baboseira, que o filme de nossa vida vai para um arquivo mofado.
O certo é que vidas entram e saem de cartaz o tempo todo. Algumas são sucesso de bilheteria, outras fiasco. E sempre haverá público e elenco para a vida.
Fonte: Felipe Cabrau o Editor
O filme é uma mistura de romance, ação, comédia, suspense, terror e ficção científica. O dia-a-dia torna-se uma reprise que passa cada vez de maneira diferente.
Choramos, rimos, passamos por perigos, brigamos, apanhamos...erramos, e muito. E não tem um diretor para dizer: "Cortaa!!!".
Às vezes, a vida cansa. Tanto que tem gente que desiste e se retira de cena antes da hora. É um filme difícil de entender e nem adianta perguntar a pessoa da cadeira ao lado, que ela não vai saber explicar. Ninguém sabe.
O curta-metragem da vida continua e, entre uma cena e outra, iremos cantarolar, assoviar e murmurar nossa própria trilha sonora, amarrando um cadarço, esperando o ônibus, no meio de um trânsito ou passando manteiga no pão. E haverá cenas e cenários inesquecíveis...a vista do alto daquele morro...a favela...uma praia...um assalto...o movimento no centro da cidade...a cena do beijo...a morte de um personagem querido.
Até que um dia o rolo de vida se acaba.
O que acontece depois ninguém sabe ao certo. Dizem que esta vida é um ensaio para uma outra vida e que, depois dela, nos encontraremos com o Grande Autor que julgará nossa atuação e nos dará ou não um Oscar. Há quem diga que, dependendo do caso, teremos de voltar aqui e gravar tudo de novo. Há, também, quem diga que isso tudo e baboseira, que o filme de nossa vida vai para um arquivo mofado.
O certo é que vidas entram e saem de cartaz o tempo todo. Algumas são sucesso de bilheteria, outras fiasco. E sempre haverá público e elenco para a vida.
Fonte: Felipe Cabrau o Editor
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Cuidado com o "GORÓ"
O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou-se pela inconstitucionalidade da Lei distrital nº 1.734/1997, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas e o transporte delas sem lacre no interior de veículos automotores no DF. A ação direta de inconstitucionalidade (ADI 1318) foi proposta pelo governo do Distrito Federal, que sustenta ofensa à competência privativa da União para legislar sobre trânsito e transporte, conforme o disposto no artigo 22, inciso XI, da Constituição Federal. A Câmara Legislativa do DF, autora da lei, alega que o diploma questionado está em consonância com os artigos 23, inciso XII, e 24, inciso XII, da Constituição Federal.O artigo 23 da Carta Maior dispõe sobre as competências comuns a todas as entidades estatais, dentre elas, a de estabelecer e implantar política de educação para o trânsito. Já o artigo 24 estabelece as matérias de competência concorrente dos estados para legislar, como a proteção e a defesa da saúde.Antonio Fernando diz que a lei distrital não está amparada nas competências levantadas pela Câmara Legislativa. Ele explica que a regra do artigo 23 é de competência administrativa, e não legislativa, e de cunho preventivo: “Note-se que a educação para o trânsito, a que a norma constitucional se refere, deve ser levada a efeito mediante o estabelecimento e implantação de política que vise a tal fim, o que reforça a desnecessidade de regramento legislativo sobre a matéria, e descarta qualquer caráter repressivo ao comando constitucional, não sendo este, portanto, o fundamento de validade da lei distrital em comento”.Quanto à competência de legislar sobre matéria atinente à proteção e defesa da saúde, o procurador-geral da República diz não este o objetivo da lei distrital, mas o da normalidade do trânsito, com a redução dos casos de direção perigosa e de acidentes nas vias terrestres decorrentes do consumo de bebidas alcoólicas.O parecer será analisado pelo ministro Celso de Mello, relator da ADI no STF.
Fonte:
http://www.notadez.com.br/content/noticias.asp?id=24325
Fonte:
http://www.notadez.com.br/content/noticias.asp?id=24325
domingo, 15 de junho de 2008
Samba de Luto
Jamelão tinha 95 anos e estava internado na Clínica Pinheiro Machado, no Rio de Janeiro, desde a última quinta-feira. Segundo nota da assessoria da Mangueira, o falecimento ocorreu às 4h da manhã por infecção grave.
O corpo de Jamelão será velado na quadra da escola de samba.
José Bispo dos Santos, conhecido como Jamelão, nasceu em 12 de maio de 1913. Menino no morro da Mangueira, conviveu com os fundadores e os primeiros componentes da escola.
Segundo informações da Mangueira, nos anos 50 ele começou a atuar como intérprete de samba-enredo para a escola, atividade que praticou até o ano de 1996.
Fonte Reuters
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