terça-feira, 8 de maio de 2007

Lixo no Lixo!


De Saco Cheio: o imprescindível trabalho dos Garis
Imagine uma metrópole como São Paulo sem lixeiros. O que seria da Cidade? Provavelmente, um gigantesco depósito de entulhos, no qual ratos e baratas fariam a festa, acarretando uma caótica situação.Além disso, o cidadão teria que conviver também com o mau cheiro, a poluição visual e outros detritos. Foi pensando em mostrar como uma profissão tão importante acaba sendo desprestigiada, e até mesmo ignorada por grande parte da sociedade, que o psicólogo Fernando Braga, 29, resolveu elaborar a sua tese de mestrado “Invisibilidade Social”, apresentada a USP, em 2002. Braga passou-se por gari, num período de 2 meses, e chegou à constatação que o oficio é invisível. “A minha intenção era provar o óbvio: que o preconceito existe, e profissões como essa se tornam invisíveis pra a sociedade,” explica. Ele abordando também que não há diferença entre gari e lixeiro trata-se apenas de diferentes Nomenclaturas. ‘Nunca pensei que iria encontrar um mundo tão fabuloso e místico, ” Conta. Trabalho digno e gratificante
Em Osasco, o trabalho é tercerizado pela empresa Qualix, em parceria com a prefeitura.Segundo o encarregado dos garis Estevam Nilson, 41, a jornada de trabalho é de oito horas por dia, de segunda à sexta-feira, com uma hora de almoço. Estevam revelou que os garis recebem cerca de 520 reais mensais,e os coletores dos caminhões 800 reais, devido o perigo do triturador. Mas ele reiterou, também, que a maioria dos garis aumenta os seus vencimentos realizando hora extra e, por isso, chegam a receber 600 reais no fim do mês. Segundo ele, o requisito básico para se tornar um gari é força de vontade. “O trabalho é digno e gratificante, falo para eles não ter vergonha, é como varrer o Chão da própria casa”,completa. Entre os guerreiros dessa profissão, destaca-se Luis Olegário Campos,38, que trabalha há 12 anos como coletor de lixo e ganha cerca de 800 reais mensais, em uma jornada de 9 horas por dia. “Não tenho reclamações sobre a profissão, só orgulho, graças ao lixo criei honestamente meus 3 filhos,”diz, referindo-se ao trabalho. A única recordação negativa de Olegário foi uma doença causada em virtude do trabalho. “Tive um problema no pulmão em virtude de uma bactéria vinda dos detritos, mas superei”. Outro perigo é o triturador do caminhão no qual trabalham os coletores. “Teve um colega meu que cortou braço, foi o dia mais triste que passei, fora isso adoro a profissão”, comenta Outro lado da Moeda Já Daniel Silva, 31, gari em Osasco, fala de sua magóa com a profissão. “Ser gari é muito triste, além das dificuldades do cotidiano você e julgado e rotulado pelas pessoas de formas preconceituosas”,desabafa. Daniel relata também que não deseja continuar muito tempo na profissão e, por isso, já traça planos para o futuro, como a realização de um curso.O objetivo é largar o lixo e formar-se como técnico e informática. “Hoje em dia, só com o segundo grau, dificilmente aparece um emprego cm estabilidade”, conta. Daniel revela que já encontrou de tudo nas ruas, e a coisa mais inusitada que viu foi um piano “foi um susto, nunca imaginei que veria um aparelho desse porte todo danificado”, relembra. JORNALISTA: JOSÉ LUIZ RIBEIRO JÚNIOR - 30/05/1978

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