segunda-feira, 14 de maio de 2007

Moradores deixaram de voltar para casa após o trabalho, nesta sexta-feira, por causa do intenso tiroteio entre policiais militares e traficantes, na favela da Grota, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro. Os disparos podiam ser ouvidos em várias ruas no entorno da comunidade, das 18h às 21h. Uma cozinheira, que preferiu não se identificar, afirmou que iria voltar para a casa do patrão.
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Já o cobrador de ônibus Renato Costa Pereira, 27 anos, resolveu buscar abrigo na casa de uma tia. "Eu e minha mulher vamos ter de perturbar minha tia, mas não tem jeito. Ela também mora em favela, mas lá tá calmo", disse.
Passageiros de um ônibus que passavam pela estrada do Itararé, por volta das 18h, ficaram apavorados, quando mais um carro blindado da PM foi recebido a tiros na comunidade. Motoristas estão evitando passar pela estrada do Itararé desde o incidente desta noite. A via chegou a ficar fechada no início da tarde por medida de segurança.
O confronto desta sexta-feira começou com a chegada do primeiro carro blindado do Batalhão de Operações Especiais (Bope), conhecido como Caveirão, por volta de 12h30. Pelo menos dois homens morreram e três ficaram feridos. Segundo a polícia, uma vítima fatal foi identificada como o traficante Armando e a outra seria um homem de 75 anos atingido por uma bala perdida.
Os feridos foram levados para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha. José Alexandre, 54 anos, levou um tiro no braço direito. Os outros baleados não tiveram a identidade revelada.
AfroreggaeO Afroreggae suspendeu a inauguração oficial do Centro Cultural na favela da Grota, no Complexo do Alemão. O evento estava previsto para este sábado, às 14h. O grupo alega falta de segurança devido aos tiroteios que começaram há dez dias. Há um receio de que novos ataques aconteçam no meio da inauguração e mate pessoas inocentes.
Os intensos tiroteios no Complexo do Alemão já deixaram pelo menos 13 mortos e 40 feridos em dez dias. A guerra entre policiais e criminosos começou depois que PMs ocuparam a favela Vila Cruzeiro em busca dos responsáveis pelo assassinato de dois agentes no bairro de Oswaldo Cruz, no subúrbio carioca.
Redação Terra