terça-feira, 24 de junho de 2008

Cinemática da vida

De repente, nos põem no mundo com um personagem a interpretar. Não houve a chance de ensaios, não nos foi dado nem roteiro nem falas. Temos que viver, improvisar. Cada um protagoniza a própria vida, enquanto "assiste a" e "assiste à" gravação da vida de muitos outros.

O filme é uma mistura de romance, ação, comédia, suspense, terror e ficção científica. O dia-a-dia torna-se uma reprise que passa cada vez de maneira diferente.

Choramos, rimos, passamos por perigos, brigamos, apanhamos...erramos, e muito. E não tem um diretor para dizer: "Cortaa!!!".

Às vezes, a vida cansa. Tanto que tem gente que desiste e se retira de cena antes da hora. É um filme difícil de entender e nem adianta perguntar a pessoa da cadeira ao lado, que ela não vai saber explicar. Ninguém sabe.

O curta-metragem da vida continua e, entre uma cena e outra, iremos cantarolar, assoviar e murmurar nossa própria trilha sonora, amarrando um cadarço, esperando o ônibus, no meio de um trânsito ou passando manteiga no pão. E haverá cenas e cenários inesquecíveis...a vista do alto daquele morro...a favela...uma praia...um assalto...o movimento no centro da cidade...a cena do beijo...a morte de um personagem querido.

Até que um dia o rolo de vida se acaba.

O que acontece depois ninguém sabe ao certo. Dizem que esta vida é um ensaio para uma outra vida e que, depois dela, nos encontraremos com o Grande Autor que julgará nossa atuação e nos dará ou não um Oscar. Há quem diga que, dependendo do caso, teremos de voltar aqui e gravar tudo de novo. Há, também, quem diga que isso tudo e baboseira, que o filme de nossa vida vai para um arquivo mofado.

O certo é que vidas entram e saem de cartaz o tempo todo. Algumas são sucesso de bilheteria, outras fiasco. E sempre haverá público e elenco para a vida.


Fonte: Felipe Cabrau o Editor